Seu primeiro contato com velas.

Meu deus, como estava frio! O clima estava bem friozinho, mas parecia que o quarto dele acentuava a temperatura baixíssima que fazia na cidade. Ela estava deitada na cama mexendo no celular enquanto ele fazia seus exercícios diários. Primeiro eram as barras, depois as flexões, seguidas de pranchas, e um pouco de descanso, e repetia. Ela adorava observá-lo se exercitando, parecia que seus músculos inchavam. Ele não era muito grande, mas era bem definido e forte, fazia tudo com facilidade. Morria de frio, com 2 pares de calças, meias e duas blusas de frio, enquanto ele estava apenas de camiseta e calça de moletom.

– Você não tá com frio? – Ela pergunta, surpresa com sua falta de incômodo por conta da temperatura do quarto.

– Não, exercício esquenta o sangue! – Ele respondia pausadamente entre uma repetição e outra de suas flexões, com a respiração super ofegante.

Ver ele se exercitar a fazia imaginar que ele estava ficando cada vez mais másculo e poderoso para ela, para protegê-la, para resolver algum problema que envolva desempenho físico, ou apenas para pegá-la com mais força enquanto transavam. Ela se lembrou de como ele era alguns kilos mais leve quando começaram a se relacionar, e de como seu corpo se desenvolveu de lá pra cá. E quanto maior e mais forte ele ficava, mais ela sentia vontade de sentir o sabor da pele dele toda vez que a via exposta por qualquer razão, ainda mais se exercitando.

Ele tinha acabado de terminar uma série de flexões e estava indo fazer suas pranchas, quando ela levanta e o interrompe, o que faz transparecer um pouco de surpresa no seu olhar. Mas basta ela chegar perto dele e beijar sua boca que ele já aperta o corpo dela contra o seu, como quem já compreende todas as intenções da moça, com um braço entrelaçando suas costas e outro na sua bunda, de forma firme mas ao mesmo tempo suave. Cada vez que ele a pegava dessa forma, ela sentia o quanto ele sabia pegá-la exatamente do jeito que ela sempre quis, tocá-la da forma perfeita, quase que uma fantasia sendo realizada em todos os encontros.

A mão dela começa a acariciar o peito dele enquanto os dois se beijam fervorosamente, e começa a descer em direção daquilo que ela queria usar desde que chegou em sua casa. Ela sentia o calor do corpo dele se misturando com o seu, e de repente o frio se foi. Sentia seu sangue quente, seu corpo aquecido, uma vontade de não desgrudar daquele tronco nunca mais. “Como pode, né, basta o corpo dele pra que eu não sinta frio!”, ela pensou rapidamente num tom bem humorado e ao mesmo tempo satisfeita por tê-lo. As mãos dele acariciavam seus cabelos morenos recém-pintados, enquanto as delas nesse momento já faziam uma massagem que causava gemidos abafados pelo beijo vindos dele.

Ele a levanta de uma forma desajeitada – como ela adorava isso – e a leva para a cama, mas assim que ela deita, diz: “Amor, hoje quero ser amarrada, me amarra?”. O canto da sua boca abriu em um sorriso safado e malvado ao mesmo tempo, o que a deixa sem saber se ele vai fazer o que ela pediu. Ele era desses: adorava sacanear, dizer que não ia meter forte mais, para logo em seguida penetrar tudo com toda força. Dizia que ia dar só um beijinho e tascava uma mordida doída. Quando ela viu o sorriso dele, ficou sem saber se ele ia amarrá-la ou fazer alguma outra sacanagem com ela.

Após um beijo curto com uma mordida nos lábios de mini-despedida, ele se afasta e vai ao armário procurar algo, mas não são cordas que estão em suas mãos quando ele se vira, e sim, uma camisa preta. “O que será que ele vai fazer?”, ela pensa rapidamente, para logo em seguida subvocalizar: “Ele vai me vendar ou me bater com essa camisa?”. A idéia de apanhar com uma camisa era engraçado para ela, que riu por dentro, sem chegar a esboçar a expressão.

Segundos depois ela não enxergava mais nada. Tudo um breu. Ela estava perdida, cega, com um pedaço de pano preto cobrindo seus olhos. A princípio ela ficou meio perdida, não sabia como se orientar ou definir precisamente a posição dele através das vibrações do ar, mas rapidamente foi ficando mais confortável com a nova forma de absorver o mundo, como se sua mente tivesse se adaptado a uma cegueira temporária, mas sensação de segurança desaparece logo em seguida quando sente uma dor aguda percorrendo a parte de baixo dos seus peitos e descendo até sua barriga. Ela concluiu que ele a estava arranhando, mas a dor era muito mais intensa, como a presença nova de alguém num cômodo misturada com o susto dela aparecer sem que você soubesse. E de novo, de cima até embaixo, a dor é causada, mas dessa vez até suas coxas. Ela sente parar por alguns segundos, para voltar logo em seguida, dessa vez subindo, várias de uma vez, talvez com todos os dedos das duas mãos, até os seus peitos, que após serem arranhados, são pegos com bastante força e firmeza, sensação que ela adorava. Seus peitos pequenos e firmes sendo escondidos e massageados por suas mãos fortes a faziam sentir uma dor leve e gostosa, mas ao mesmo tempo era como se ele ligasse uma chave para fazer com que o corpo e a mente dela relaxassem e deixasse tudo nas mãos dele, literalmente. Esse relaxo é bruscamente interrompido por uma dor rasgante nos seus peitos, quase que como se tivessem sofridos uma tentativa de serem arrancados. “Ai, para de me morder, filha da puta! Haha”. Ela dá um gritinho, rindo. Um seco “De bruços” soa pelo quarto, absolutamente frio, que quebra qualquer risada que poderia sair do sofrimento divertido de uma mordida, tornando toda aquela situação tensa e carregada de pressão.

Ela vira, sem pensar duas vezes. Ela sabe que não pode o desobedecer quando ele fala assim. Esse tom de voz dele impõe toda a segurança que ela sempre quis ter e nunca ninguém conseguiu a dar. Era como se um simples comando dele a lembrasse por que ela estava na casa dele: ninguém a deixava mais entregue e segura do que ele. Independente do que ele decidisse, ela sabia que ia a fazer bem. Seja no que vão fazer hoje, o que vão comer, ou qual pose sexual vai ter agora, ele sabia dar a ela o que ela queria, e mais além, o que ela sempre precisou e nunca achou em ninguém.

Ainda sem enxergar nada, ela ouve as cortinas se fecharem, assim como a porta, e um barulho de isqueiro acendendo. “Isqueiro? O quê?”. Logo em seguida, a porta do armário se abre, uns barulhos de algo sendo procurados surgem, e o isqueiro acende de novo, dessa vez um ruído bem baixinho de algo pegando fogo surge no ar, o que causa estranheza, afinal ele não fuma. Alguns segundos sem nenhum movimento brusco se passam, e de repente um raio bate em sua pele e causa um choque por todo seu corpo. Ela sente seu organismo acordar imediatamente, como quem toma um puta susto, e leva alguns instantes pra perceber que uma dor absurda surgia pela pele da sua bunda e se espalhava por seu corpo por inteiro, causando um mini espasmo de todos os seus membros diante da queimadura causada por algo que cai em sua bunda, a fazendo praticamente se revirar da cama. Sua cabeça chacoalhava, suas pernas batiam no nada, assim como seus braços, de forma desesperadora e quase epiléptica.

– Não se mexa. – Ele disse, imponente.

Outro choque absurdo surge em sua bunda e atravessa todo seu corpo, mas antes dela conseguir processar tudo, mais uma gota daquela coisa cai imediatamente após, a fazendo urrar de dor, mas uma dor que assim que ela conseguiu organizar seus pensamentos, percebeu que a fazia se sentir completamente excitada mas de uma forma confusa. Os tapas e arranhões que ela sofria não doíam nem de longe o tanto quanto isso doía, mas também a dor causada por eles não a deixava tarada assim. Não era a situação que a excitava, era a dor, pura.

– Isso são velas? – Ela perguntou.

– Sim, mas você tá se mexendo demais, não vai dar certo. Peraí, fique quieta.

Poucos minutos depois a venda continuava em seus olhos, e ela estava amarrada nos tornozelos, nas coxas e nos pulsos, com seus braços virados pra trás, completamente imobilizada e vulnerável. Seu corpo estava fervendo de tesão, como se fosse um vulcão expelindo lubrificação vaginal pela sua buceta. Nunca esteve tão entregue a alguém assim, e essa devoção imposta na marra a deixava completamente maluca. Ele podia fazer isso, só ele. Ela se sentia confortável com ele pra saber que ela não precisava reagir a nada que ele fizesse, e mesmo se quisesse, não poderia. No próximo pingo de vela que cai sobre sua pele, ela sente que seria capaz de gozar ali mesmo, sem sequer ser tocada, e jura pra si mesmo que nunca esteve tão encharcada na vida. Ela ouve um “Você tá sujando os lençóis”, e isso a deixa mais maluca ainda, parece que ele lia seus pensamentos, e talvez lesse mesmo, ela nunca sentiu uma conexão tão forte com alguém. Uma eternidade havia se passado com os dois juntos dentro da cabeça dela, como se ele conhecesse os cantos mais profundos de suas intimidades e fetiches, assim como a raiz de todos eles, pra executar exatamente do jeito que ela queria. Outro pingo de vela, outro urro, outro espasmo contido pelas corda, um tapa queima sua nádega, estalando todo o ambiente, e mais vela é pingada. A cada pingo, um mini orgasmo. Ela ouve risadas malvadas bem baixinhas, e pensa “meu deus, como eu amo esse canalha.” O pensamento some, só a dor e o tesão tomam conta. Mais velas, dessa vez sem parar, ela começa contando a quantidade de pingos ininterruptos, um, dois, três, quatro… mas perde as contas rapidamente. São, sei lá, uns cinquenta, começando pela bunda, subindo pelas costas, acentuando a dor e a tornando mais intensa, indo até a nuca, depois voltando até suas coxas, intercalado com tapas fortes e estridentes e gemidos intensos presos por dentes cerrados.

“Chega, me fode!” Ela quase gritava nesse ponto. Ele a ignorou por algumas dezenas de segundos que na cabeça dela pareciam algumas semanas, e finalmente apagou as velas e a fez sentir seu caralho dentro dela, a penetrando com bastante força enquanto ele a segurava tão forte que quase a machucava pra socar seu pau dentro dela com a selvageria comparável a de um rinoceronte. Bastou pouquíssimo tempo para que ela tivesse espasmos orgasmáticos, que se intensificaram mais ainda pelo fato dela não conseguir se mexer ou reagir fisicamente, o que fez com que ela só percebesse depois de tudo isso que ela estava gritando enquanto gozava. Com seus músculos completamente relaxados e ainda sem enxergar nada, lá estava ela deitada, sentindo que os lençóis embaixo dela estavam completamente molhados, pensando que seu corpo estava totalmente desidratado, mas nada disso importava naquele momento, ela só queria que ele deitasse com ela, “foda-se que estou amarrada”, pensava. “Puta que pariu, deita aqui.”. Sua resposta foi um “Shhh”. Ficou estática, imóvel, tentando ouvir o que ele estava fazendo pra não deitar com ela, e conseguiu perceber um movimento dinâmico e frequente vindo de onde ela achava que ele estaria, seguido de uns gemidos grossos e estasiados. “Gozou?” Ela perguntou, e ao invés de ter uma resposta, foi sendo desamarrada aos poucos, processo que ela preferiu sofrer em silêncio. No meio do caminho, ouviu um “Só se mexa quando eu deixar”. Não ousou desobedecer. Após totalmente desamarrada, mal teve tempo de balançar os braços, a mão dele estava em sua nuca, que a puxou para cima, a fazendo se sentar e olhar para o chão, todo sujo de coisas brancas com texturas diferentes espalhadas pelo piso, que ela concluiu que fossem porra e cera.

“Lamba.”

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